Batalhas

1384 - Batalha dos Atoleiros

A Batalha dos Atoleiros tem um enorme significado, pois foi uma demonstração de que o domínio castelhano não era inevitável, e que os portugueses eram capazes de defender a sua independência, o que na época era considerado quase que impossível. O resultado verificado nos Atoleiros, em Abril de 1384, veio demonstrar aos seguidores do Mestre de Avis, que a sua luta, se organizada eficientemente e com determinação, se poderia saldar vitoriosa. A Batalha dos Atoleiros deu também à nação portuguesa um importante contributo para a construção da sua identidade nacional.

1385 - Batalha de Trancoso

Três meses antes da Batalha de Aljubarrota, D. Juan I de Castela encontrava-se em Portugal com o seu exército, cercando a cidade de Elvas. Simultaneamente, sabendo que D. João I e Nuno Álvares Pereira se encontravam retidos em Guimarães a cercar o seu castelo, um exército castelhano decide invadir a Beira e saquear Viseu. Perante esta situação, um grupo de fidalgos portugueses da Beira decide organizar um pequeno exército e barrar o caminho a esta força castelhana, em Trancoso, quando regressava a Castela. A vitória portuguesa em Trancoso, em Maio de 1385, não só eliminou um número importante de cavaleiros e homens de armas castelhanos, como obrigou D. Juan I a pôr fim ao cerco de Elvas, e regressar a Castela.

1385 - Batalha de Aljubarrota

A batalha ocorrida no planalto de S. Jorge no dia 14 de Agosto de 1385 constituiu um dos acontecimentos mais decisivos da História de Portugal. Sem ela, o pequeno reino português teria, muito provavelmente, sido para sempre absorvido pelo seu poderoso vizinho castelhano. Sem o seu contributo, o orgulho que temos numa história largamente centenária, configurando o estado português como uma das mais vetustas e homogéneas criações políticas do espaço europeu, não seria hoje possível. A Batalha de Aljubarrota proporcionou definitivamente a consolidação da identidade nacional, que até então se encontrava apenas em formação, e permitiu às gerações futuras portuguesas a possibilidade de se afirmarem como nação livre e independente.

1659 - Batalha das Linhas de Elvas

Passados 19 anos desde a proclamação da independência nacional, em 1640, o exército espanhol invadiu pela primeira vez Portugal, por Badajóz, indo por cerco a Elvas. A notável resistência desta praça deu tempo a que um exército de socorro português se organizasse e avançasse para Elvas, em Janeiro de 1659. Embora o exército espanhol fosse muito superior em número, o ataque do exército português foi bem sucedido, proporcionando a primeira grande vitória portuguesa em território nacional após a Restauração, e impedindo o exército espanhol de continuar a sua marcha para Lisboa.

1663 - Batalha do Ameixial

A Batalha do Ameixial decorreu, porventura, no momento mais perigoso para os portugueses, durante a Guerra da Restauração. Enfrentando um poderoso exército que, após tomar Évora, pretendia continuar a avançar para Lisboa, o exército português conseguiu contudo obrigar o exército invasor a recuar para perto de Estremoz. Aí se deu, em Junho de 1663, em diversas colinas situadas junto a Santa Vitória do Ameixial, uma batalha de enormes proporções, onde a determinação e o engenho português conseguiram uma grandiosa vitória militar, aparentemente impossível de alcançar. 1665 -Batalha de Montes Claros Após 25 anos de guerra, a Batalha dos Montes Claros, em Junho de 1665, constituiu o derradeiro esforço espanhol de subjugar Portugal pela força. Para isso foram utilizadas forças militares entretanto disponibilizadas pelo fim das guerras de Espanha na Catalunha e na Europa, e foi nomeado um dos melhores generais espanhois para esta missão. A Batalha de Montes Claros foi assim a batalha decisiva. Se tivesse tido lugar noutro palco da Europa Central, esta Batalha seria hoje objecto de um muito maior estudo e divulgação, em face da forma extraordinariamente interessante e espectacular como se desenrolou. A notável vitória portuguesa em Montes Claros permitiu a assinatura do Tratado de Paz com a Espanha, três anos mais tarde, em 1668.

1384 - Batalha dos Atoleiros (Guerra da Independência)

Contexto político anterior à Batalha dos Atoleiros:

Batalha dos Atoleiros

Quando D. Fernando morre, em 22 de Outubro de 1383, a situação que se cria, decorrente do Tratado de Salvaterra de Magos, celebrado em Abril de 1383 por iniciativa de D. Leonor Teles, o Conde João Fernandes Andeiro e D. Juan I de Castela, provoca mal-estar no Reino de Portugal. Com efeito, e para além de colocar na regência do Reino D. Leonor Teles que era impopular para a grande maioria da população, este Tratado estabelece que a Coroa Portuguesa passaria a pertencer aos descendentes do Rei de Castela, D. Juan I, passando a capital do Reino para Toledo.

O Reino de Castela iria inevitavelmente dominar Portugal. Esta situação não agrada à grande maioria da população portuguesa, gerando-se assim uma grave crise política.

Um sector da sociedade portuguesa entendia que D. João, Mestre da Ordem militar de Avis e filho bastardo de D. Pedro I, tinha direito ao trono.

D. Juan I de Castela invade então Portugal com o seu exército, em Janeiro de 1384, entrando pela cidade da Guarda e dirigindo-se seguidamente para Santarém.


Sendo entretanto informado de uma incursão castelhana no Alentejo, D. João nomeia, em Março, Nuno Álvares Pereira fronteiro da comarca de Entre Tejo e Guadiana, com poder absoluto, quer militar, quer económico ou político. Foi autorizado por D. João a escolher, em Lisboa, 200 cavaleiros, dos quais 40 cavaleiros da primeira nobreza. Teve também autorização para juntar à sua hoste cerca de 1.000 homens a pé. Nuno Álvares Pereira parte então para o Alentejo.

Dirige-se para Estremoz onde teve conhecimento que os castelhanos já estavam no Crato. Os capitães que estavam debaixo das suas ordens tentaram dissuadi-lo a combater contra um exército muito superior e onde se encontravam dois dos seus irmãos. D. Nuno referiu então:


“Amigos! Bem sabeis que o Mestre me enviou a esta terra para que com a ajuda de Deus, vós e eu a defendamos de algum mal ou dano que os castelhanos lhe queiram fazer; e que esse feito lhes daria, para sempre, grande honra e bom nome; Grande bem faremos também a nós próprios em lutar, ao defender as nossas terras e bens, de que somos detentores”

No dia seguinte, 6 de Abril de 1384, D. Nuno parte com a sua gente em direcção a Fronteira, que estava então a ser cercada pelos castelhanos vindos do Crato. Parte D. Nuno com um exército de 1.500 homens. Pequena hoste, face à dimensão da tarefa que a aguardava.

O desenrolar do combate:

Chegado à Herdade dos Atoleiros, 2,5 Km a sul de Fronteira, Nuno Álvares Pereira suspendeu a marcha e escolheu um local apropriado para colocar a sua hoste. Optou por um terreno ligeiramente inclinado e que tinha em toda a extensão, na zona mais baixa, uma ribeira chamada das Águas Belas. Tratou-se de um local extremamente bem escolhido, pois, embora fosse aparentemente convidativo para um ataque, tinha diante de si uma ribeira que não se vê a não ser de perto e que era suficientemente larga e profunda para constituir um fosso. Por outro lado ao colocar os seus homens num local ligeiramente mais elevado proporcionou um ângulo de tiro muito vantajoso para os besteiros.


Nuno Álvares tratou então de ordenar o seu pequeno exército. Em primeiro lugar mandou apear toda a cavalaria, mal armada e que seria incapaz de resistir ao choque dos esquadrões castelhanos. Seguidamente organizou com eles a vanguarda, as duas alas, colocando ainda alguns cavaleiros na retaguarda. Seguidamente colocou os besteiros pelas duas alas e também por detrás da vanguarda, de onde pudessem alvejar, com sucesso, os castelhanos quando estes se aproximassem.


O exército castelhano era composto por cerca de 1.000 cavaleiros e 4.000 homens a pé. Chegados ao local, os castelhanos, ao verificarem quanto diminuta era a hoste portuguesa e a inferioridade do seu armamento, abandonaram a ideia de combaterem a pé e decidiram montar os seus cavalos, convencidos de que a vitória estaria garantida. Pelas 12 horas os castelhanos iniciaram o seu ataque de cavalaria.

Os castelhanos que avançavam recebiam em cheio os dardos e virotões desferidos pelas fileiras interiores do exército português, lançados por cima da vanguarda portuguesa. Também os peões portugueses lançavam pedras em direcção aos castelhanos.

Por outro lado a própria natureza do terreno, que neste local é bastante argiloso fez com que vários cavalos tenham enterrado as suas patas no solo, deixando de conseguir avançar, o que muitas vezes provocou a queda dos respectivos cavaleiros. Mesmo assim muitos cavaleiros castelhanos chegaram ao contacto com os portugueses. Os portugueses situados na vanguarda tinham contudo, por ordem de Nuno Álvares Pereira, cravado obliquamente as suas lanças no chão, sendo cada lança segurada pelo braço de um homem. Constitui-se portanto uma frente cerrada, com dezenas de lanças apontadas obliquamente ao inimigo. Este facto fez com que muitos cavalos e cavaleiros inimigos se espetassem nas pontas das suas armas. Entretanto os peões e besteiros portugueses continuavam a lançar as suas pedras e virotões, provocando mortes e feridos no inimigo.


Seguiram-se mais três ataques, efectuados contra a vanguarda e alas portuguesas, que continuaram contudo a resistir heróica e eficazmente. Com toda a probabilidade, nestes ataques castelhanos participaram também homens a pé. Sofreram contudo as mesmas dificuldades que os cavaleiros no avanço no terreno, ou seja, tanto devido á natureza do solo, como por serem atingidos pelas pedras, dardos e virotões dos portugueses. Alguns terão certamente chegado próximo da vanguarda portuguesa, mas não a conseguiram romper.

Este combate que durou cerca de uma hora, não originou um grande número de mortes, que ocorreram sobretudo no choque inicial entre as duas vanguardas. Do lado castelhano terão morrido cerca de 600 cavaleiros e homens a pé, ou seja, cerca de 12% do seu exército. Em contraste, as baixas do lado português terão sido praticamente nulas.

No dia seguinte à Batalha, D. Nuno Álvares Pereira dirigiu-se para Assumar, descalço e a pé, em agradecimento pelo resultado do combate e para fazer oração a Santa Maria desta Vila.

Consequências da Batalha dos Atoleiros:

O êxito alcançado na Batalha dos Atoleiros teve um enorme impacto psicológico nos apoiantes do Mestre de Avis e de uma forma geral em Portugal, ao demonstrar que apesar de todo o seu poderio militar, os castelhanos não eram invencíveis. Esta constatação demonstrou aos portugueses, que se devidamente organizada e orientada, a luta pela independência do Reino poderia ser bem sucedida.

A Batalha dos Atoleiros constitui um acontecimento de extrema importância na chamada crise de 1383 a 1385, que consagrou e definiu a identidade de Portugal, como País, como povo e como nação. Esta consciência de independência nacional jamais se veio a perder, chegou aos nossos dias e certamente permanecerá no futuro.

O êxito alcançado na Batalha dos Atoleiros iniciou assim um processo notável de afirmação da nação portuguesa, sem o qual não teria sido possível nem Aljubarrota, nem mais tarde o Acordo de Paz com Castela em 1411.

1385 - Batalha de Trancoso (Guerra da Independência)

Contexto político anterior à Batalha de Trancoso:

Batalha de Trancoso

Com a morte do rei D. Fernando em 1383, o Tratado de Salvaterra de Magos, celebrado em Abril desse ano entre a rainha D. Leonor Teles, o Conde João Andeiro e o Rei de Castela, estabelece que a Coroa Portuguesa passaria a pertencer aos descendentes do Rei de Castela, D. Juan I, passando a capital do Reino para Toledo.

O Reino de Castela iria inevitavelmente dominar Portugal. A situação que se cria provoca mal estar e não agrada á maioria da população portuguesa.

Em face desta circunstância, a população de Lisboa proclama D. João, Mestre de Avis, meio irmão de D. Fernando, como "regedor, governador e defensor do reino". Perante a revolta da população portuguesa em vários pontos e cidades do Reino, o rei de Castela, em 1384, entra em Portugal, a pedido de D. Leonor Teles. Entre Fevereiro e Outubro monta um cerco a Lisboa, por terra e por mar, com o apoio da frota castelhana. O cerco não resulta, não só pela determinação das forças portuguesas, mas também por Lisboa estar bem murada e defendida.

Afastados momentaneamente os combates com Castela, o partido do Mestre avançou, então, para a batalha política. Reúnem-se assim em Março e Abril de 1385 as Cortes de Coimbra, que proclamam O Mestre de Avis como Rei de Portugal.

A incursão Castelhana na Beira:

Os castelhanos deixam Ciudad Rodrigo dispostos a invadir a Beira, com o objectivo de saquear e de fazerem o maior dano possível, através da destruição de cearas e vinhas, aprisionando pessoas, praticando o saque e o incêndio.

Tinham a informação de que não encontrariam uma resistência organizada. Com efeito, sabiam que o Rei de Portugal, D. João I, e o seu condestável, D. Nuno Álvares Pereira, se encontravam ocupados no norte do País, envolvidos no cerco a Guimarães, pelo que não lhes iriam fazer frente. Em segundo lugar, sabiam que alguns dos nobres portugueses da Beira se encontravam desavindos entre si, pelo que não seria provável que se juntassem para se oporem a esta invasão.

Deste modo um exército castelhano deixa Ciudad Rodrigo, aproximadamente a 14 de Maio de 1385 e entra em Portugal. Nele participavam 400 cavaleiros, provenientes de famílias nobres castelhanas ou de burgueses abastados. Estes cavaleiros dispunham de fortes armaduras, bem como lanças e espadas, e podiam combater a pé ou a cavalo. Participavam também neste exército 200 ginetes ou cavaleiros ligeiros, armados de dardo e besta, que em batalha desempenhavam normalmente um papel de ataque aos flancos ou retaguarda do inimigo, e combatendo sempre a cavalo. Acompanhando os cavaleiros e ginetes vinham umas centenas de homens a pé, armados de picos, e besteiros. Ao chegar a Viseu, o exército castelhano saqueou a cidade e fez centenas de prisioneiros, para serem levados para Castela. Seguidamente incendiou a cidade.

A reacção portuguesa:

A situação tornava-se escandalosa. Era preciso promover o entendimento entre os nobres da Beira, impedindo ao menos a saída do saque para Castela, e se possível assegurar o castigo dos invasores, já que não se tinha evitado a devastação desta região da Beira. D. João I, sabendo que não havia tempo a perder, encarrega o seu guarda-mor, João Fernandes Pacheco, de ir ao encontro dos fidalgos da Beira e de mediar as suas diferenças. Foi então conseguida uma reconciliação entre os nobres da Beira.

O desenrolar da Batalha:

Sabendo que os castelhano passariam por Trancoso, no seu regresso a Castela, os portugueses foram colocar-se a cerca de 2 Km a sul da vila, num local onde os castelhanos forçosamente teriam de passar. Tratava-se da veiga de Trancoso, perto da ermida de São Marcos.

O exército português era composto pelos homens de cinco nobres da Beira: Gonçalo Vasques Coutinho, Martim Vasques da Cunha, João Fernandes Pacheco, Gil Vasques da Cunha e Egas Coelho. Nele participavam pouco mais de 300 cavaleiros e pouco mais de 1.000 homens a pé, a grande maioria dos quais sem prática das armas. Não existiam ginetes nem besteiros.

Na manhã seguinte, a 29 de Maio de 1385, o exército português coloca-se no terreno sensivelmente como nos Atoleiros, ou como mais tarde em Aljubarrota, ou seja, com vanguarda, alas e retaguarda. Todos ou quase todos os cerca de 400 cavaleiros portugueses estavam na vanguarda. Os homens a pé colocaram-se nas duas alas e na retaguarda.


Tendo o caminho barrado, os castelhanos fizeram então uma proposta aos portugueses, que consistia em aceitar entregar o produto do saque, bem como libertar os prisioneiros portugueses, desde que a coluna castelhana pudesse prosseguir a marcha para Castela. Os portugueses recusaram.

João Rodrigues de Castanheda ordenou que os seus 400 cavaleiros desmontassem dos cavalos, que entregaram aos pagens, e que combatessem a pé. Apenas os ginetes iriam lutar a cavalo, muito possivelmente situados de cada um dos dois lados do exército castelhano. Alguns homens armados ficaram na retaguarda, de guarda aos prisioneiros portugueses.

O ataque castelhano incidiu sobre a vanguarda portuguesa e sobre as duas alas. O combate foi extraordinariamente violento, tendo demorado o dia inteiro. A Batalha de Trancoso foi portanto travada num espaço não muito grande, que corresponde á veiga de Trancoso, e durante aproximadamente oito horas.

Os portugueses, os cavaleiros castelhanos e os peões castelhanos combateram sempre a pé, ao contrário dos 200 ginetes castelhanos que procuraram lutar sempre a cavalo. 


É muito possível que os castelhanos tenham ensaiado, ao longo do dia, diversos ataques, depois de se terem reagrupado, utilizando simultaneamente a carga de cavalaria dos ginetes e o ataque dos homens de armas a pé, enquanto os besteiros castelhanos disparavam os seus virotões. 


Possivelmente o ataque dos ginetes incidiu mais sobre as alas portuguesas e a sua retaguarda, enquanto os homens de armas atacavam a pé a vanguarda portuguesa.


Sabemos no entanto que no final do dia os castelhanos estavam totalmente desbaratados, e que muitos dos prisioneiros portugueses se conseguiram libertar e envolver no combate.


A participação dos prisioneiros portugueses não deixou certamente de ser significativa, não só pelo seu número, mas também pelos motivos de hostilidade que tinham perante os castelhanos, devido á forma como haviam sido tratados.

Do lado castelhano, apenas alguns ginetes escaparam da morte, nestes se incluindo o seu capitão, Pedro Soares de Quinhones. Os cavaleiros castelhanos, que eram como referimos, de importantes famílias, morreram todos, com excepção de Garcia Guterres, que Gil Vasques da Cunha não quis matar, para que, como preso, pudesse identificar os cavaleiros castelhanos mortos e posteriormente contar em Castela o que havia sucedido nesta batalha.

Do lado português, e de acordo com os cronistas da época, o número de mortos foi muito menor.

Consequências da Batalha:

Em Portugal todos tinham consciência que se vivia, em 1385, um período decisivo na guerra com Castela. Com efeito, após as cortes de Coimbra que proclamaram D. João I como Rei de Portugal, e após os êxitos militares de 1384, a guerra com Castela entrava na sua fase decisiva. Esta nova vitória chegou assim num momento muito importante e teve como consequência transmitir um significativo entusiasmo e confiança aos defensores da independência de Portugal.

Em segundo lugar, esta vitória foi uma nova confirmação de que o exército de Castela não era invencível, apesar da sua superioridade numérica e em armamento. Estava provado que a coragem e determinação portuguesa podiam sobrepor-se a situações tremendamente desfavoráveis. Deste modo, o conhecimento da vitória em Trancoso contribuiu seguramente para incentivar os portugueses a enfrentarem a batalha decisiva, que se travou 77 dias mais tarde em Aljubarrota.

Em terceiro lugar o resultado de Trancoso teve uma consequência estratégica da maior importância, que consistiu em demover o Rei de Castela, a partir de Elvas, de continuar a sua marcha para Lisboa. Tinha então a intenção de seguir directamente para Lisboa, onde se encontrava já a sua frota. Este movimento seria feito em simultâneo com uma penetração na Beira por parte de outra força castelhana.


Ao ter conhecimento da derrota castelhana em Trancoso, o Rei de Castela abandonou o cerco de Elvas, e desistiu de se dirigir directamente daí para Lisboa. Pelo contrário, retirou-se para Ciudad Rodrigo, em Castela, para reagrupar as suas forças. Esta circunstância, além de evitar dois ataques castelhanos simultâneos a Portugal, proporcionou ao exército de D. João I ganhar vários dias, que se haviam de revelar preciosos na preparação da batalha decisiva, a Batalha de Aljubarrota.

1385 - Batalha de Aljubarrota (Guerra da Independência)

CONTEXTO POLÍTICO ANTERIOR À BATALHA DE ALJUBARROTA

Batalha de Aljubarrota

Com a morte do rei D. Fernando em 1383, o Tratado de Salvaterra de Magos, celebrado em Abril desse ano entre a rainha D. Leonor Teles, o Conde João Andeiro e o Rei de Castela, estabelece que a Coroa de Portugal passaria a pertencer aos descendentes do Rei de Castela, D. Juan I, passando a capital do Reino para Toledo. O Reino de Castela iria inevitavelmente dominar Portugal. A situação que se cria provoca mal estar e não agrada á maioria da população portuguesa.

Analisando a crise política de 1383 a 1385, é possível referir que na sua origem esteve, em primeiro lugar, o descontentamento popular existente, resultante não só da degradação das condições de vida da generalidade da população, mas também pela perspectiva do Reino de Portugal vir a perder a sua independência.


Este desejo de alterações foi então facilitado pelo facto de D. Leonor Teles e os seus aliados defenderem uma solução política para Portugal, não só discutível legalmente, como claramente do desagrado da grande maioria da população portuguesa.


Em face desta circunstância, a população de Lisboa proclama D. João, Mestre de Avis, meio irmão de D. Fernando, como "regedor, governador e defensor do reino". Perante a revolta da população portuguesa em vários pontos e cidades do Reino, o Rei de Castela, em 1384, entra em Portugal. Entre Fevereiro e Outubro monta um cerco a Lisboa, por terra e por mar, com o apoio da frota castelhana. O cerco não resulta, não só pela determinação das forças portuguesas, mas também por Lisboa estar bem murada e defendida.

Afastados momentaneamente os combates com Castela, o partido do Mestre avançou, então, para a batalha política. Reúnem-se assim em Março e Abril de 1385 as Cortes de Coimbra, que proclamam o Mestre de Avis como Rei de Portugal.

INVASÃO!

Perante esta situação em 8 de Julho de 1385 D. Juan I, invade novamente Portugal, por Almeida, com um numeroso exército de 40.000 homens, seguindo depois por Trancoso, Celorico da Beira, Coimbra, Soure e Leiria. A esquadra castelhana havia entretanto cercado Lisboa por mar, desde Abril desse ano. O exército português, comandado por Nuno Álvares Pereira, tinha-se colocado em posição de combate. A Batalha tinha-se tornado praticamente inevitável.

O DESENROLAR DA BATALHA

No dia 14 de Agosto, logo pela manhã, o exército de D. João I ocupa uma posição fortíssima no terreno, escolhido na véspera por Nuno Álvares Pereira. No final da manhã chegam os castelhanos, que circulam pela estrada romana.

Evitam o choque com os portugueses, uma vez que isso implicaria a subida de um terreno em condições extremamente desfavoráveis. Preferem tornear a forte posição portuguesa pelo lado do mar, até estacionarem na ampla esplanada de Chão da Feira. O exército português constituído por aproximadamente 7.000 homens de armas, move-se então uns dois quilómetros para Sul e inverte a sua posição de batalha para ficar de frente para o inimigo.

Passava das 18 horas quando se deu o assalto castelhano à posição portuguesa. Uma vez iniciada a batalha, é então possível referir os cinco principais momentos do combate:

MOMENTO I - ATAQUE

A impetuosa vanguarda do rei de Castela (na sua maior parte constituída por tropas auxiliares francesas, como claramente assegura Froissart) inicia o ataque provavelmente a cavalo, sendo rechaçada nas obras de fortificação antecipadamente preparadas pela hoste de D. João I, obras essas que constituíram uma surpresa absoluta para os seus arrogantes adversários. Para prosseguir o combate, os franceses são obrigados a desmontar (aqueles que o conseguem fazer) na frente do inimigo e, por isso, em posição absolutamente crítica.

MOMENTO II - COMBATE A PÉ!

Ao saber do desbarato da sua linha da frente, D. Juan I decide mandar avançar o resto do exército então presente no Chão da Feira, maioritariamente também a cavalo. 

Ao aproximarem-se da posição portuguesa, apercebem-se de que - contrariamente ao que supunham - o combate está a ser travado a pé (ou tem de ser travado a pé, dadas as características do sistema de entrincheiramento defensivo gizado pela hoste portuguesa). Por isso, os cavaleiros castelhanos desmontam cedo e percorrem a pé o que lhes falta (escassas centenas de metros) até alcançarem os adversários. Ao mesmo tempo, cortam as suas compridas lanças, para melhor se movimentarem no corpo-a-corpo que se avizinha.

MOMENTO III - FLECHAS

Entretanto, os homens de armas de D. Juan I vão sendo crivados de flechas e de virotões lançados respectivamente pelos arqueiros ingleses e pela “ala dos namorados” portuguesa, o que, juntamente com o progressivo estreitamento da frente de batalha (devido aos abatises, às covas de lobo e aos fossos) os entorpece, embaraça e torna "ficadiços" (de acordo com Fernão Lopes) e os aglutina de maneira informe na parte central do planalto; tais foram, porventura, os minutos mais decisivos da jornada.

MOMENTO IV - ALAS CASTELHANAS

Quanto às alas castelhanas, essas permanecem montadas, destinadas que estavam - como era tradicional na época - a ensaiar um envolvimento montado da posição portuguesa, coisa que, devido à estreiteza do planalto, apenas a ala direita (chefiada pelo Mestre de Alcântara ) terá conseguido, e mesmo assim numa fase já tardia da refrega.

MOMENTO V - PÂNICO E FUGA

O pânico apodera-se do exército castelhano, quando dentro do quadrado português, a bandeira do monarca castelhano é derrubada. Os castelhanos precipitam-se então numa fuga desorganizada. Segue-se uma curta, mas devastadora perseguição portuguesa, interrompida pelo cair da noite. D. Juan de Castela põe-se em fuga, em cima de um cavalo, juntamente com algumas centenas de cavaleiros castelhanos. Percorre nessa noite perto de meia centena de quilómetros, até alcançar Santarém, exausto e desesperado. Até à manhã do dia seguinte, milhares de castelhanos em fuga são chacinados por populares nas imediações do campo de batalha e nas aldeias vizinhas.

O restante das forças franco-castelhanas saem de Portugal, parte passando por Santarém e depois por Badajóz e a outra parte, através da Beira, por onde tinham entrado.

No campo de batalha, as baixas portuguesas foram cerca de 1.000 mortos, enquanto no exército castelhano se situaram em aproximadamente 4.000 mortos e 5.000 prisioneiros. Fora do campo da batalha, terão sido mortos nos dias seguintes pela população portuguesa, cerca de 5.000 homens de armas, em fuga, do exército castelhano. Devido ao significado político da Batalha e aos seus numerosos nobres e homens de armas que aí morreram, Castela permaneceu em luto por um período de dois anos.

A Batalha: minuto a minuto

O desenrolar da Batalha

No dia 14 de Agosto, logo pela manhã, o exército de D. João I ocupa uma posição fortíssima no terreno, escolhido na véspera por Nuno Álvares Pereira. No final da manhã chegam os castelhanos, que circulam pela estrada romana.

Evitam o choque com os portugueses, uma vez que isso implicaria a subida de um terreno em condições extremamente desfavoráveis. Preferem tornear a forte posição portuguesa pelo lado do mar, até estacionarem na ampla esplanada de Chão da Feira. O exército português constituído por aproximadamente 7.000 homens de armas, move-se então uns dois quilómetros para Sul e inverte a sua posição de batalha para ficar de frente para o inimigo.

Passava das 18 horas quando se deu o assalto castelhano à posição portuguesa. Uma vez iniciada a batalha, é então possível referir os cinco principais momentos do combate:

Momento I - ATAQUE

A impetuosa vanguarda do rei de Castela (na sua maior parte constituída por tropas auxiliares francesas, como claramente assegura Froissart) inicia o ataque provavelmente a cavalo, sendo rechaçada nas obras de fortificação antecipadamente preparadas pela hoste de D. João I, obras essas que constituíram uma surpresa absoluta para os seus arrogantes adversários. Para prosseguir o combate, os franceses são obrigados a desmontar (aqueles que o conseguem fazer) na frente do inimigo e, por isso, em posição absolutamente crítica.

Momento II - COMBATE a pé!

Ao saber do desbarato da sua linha da frente, D. Juan I decide mandar avançar o resto do exército então presente no Chão da Feira, maioritariamente também a cavalo. 

Ao aproximarem-se da posição portuguesa, apercebem-se de que - contrariamente ao que supunham - o combate está a ser travado a pé (ou tem de ser travado a pé, dadas as características do sistema de entrincheiramento defensivo gizado pela hoste portuguesa). Por isso, os cavaleiros castelhanos desmontam cedo e percorrem a pé o que lhes falta (escassas centenas de metros) até alcançarem os adversários. Ao mesmo tempo, cortam as suas compridas lanças, para melhor se movimentarem no corpo-a-corpo que se avizinha;

Momento III - Flechas

Entretanto, os homens de armas de D. Juan I vão sendo crivados de flechas e de virotões lançados respectivamente pelos arqueiros ingleses e pela “ala dos namorados” portuguesa, o que, juntamente com o progressivo estreitamento da frente de batalha (devido aos abatises, às covas de lobo e aos fossos) os entorpece, embaraça e torna "ficadiços" (de acordo com Fernão Lopes) e os aglutina de maneira informe na parte central do planalto; tais foram, porventura, os minutos mais decisivos da jornada;

Momento IV - Alas Castelhanas

Quanto às alas castelhanas, essas permanecem montadas, destinadas que estavam - como era tradicional na época - a ensaiar um envolvimento montado da posição portuguesa, coisa que, devido à estreiteza do planalto, apenas a ala direita (chefiada pelo Mestre de Alcântara ) terá conseguido, e mesmo assim numa fase já tardia da refrega;

Momento V - pânico e fuga

O pânico apodera-se do exército castelhano, quando dentro do quadrado português, a bandeira do monarca castelhano é derrubada. Os castelhanos precipitam-se então numa fuga desorganizada. Segue-se uma curta, mas devastadora perseguição portuguesa, interrompida pelo cair da noite. D. Juan de Castela põe-se em fuga, em cima de um cavalo, juntamente com algumas centenas de cavaleiros castelhanos. Percorre nessa noite perto de meia centena de quilómetros, até alcançar Santarém, exausto e desesperado. Até à manhã do dia seguinte, milhares de castelhanos em fuga são chacinados por populares nas imediações do campo de batalha e nas aldeias vizinhas.

O restante das forças franco-castelhanas saem de Portugal, parte passando por Santarém e depois por Badajóz e a outra parte, através da Beira, por onde tinham entrado.

No campo de batalha, as baixas portuguesas foram cerca de 1.000 mortos, enquanto no exército castelhano se situaram em aproximadamente 4.000 mortos e 5.000 prisioneiros. Fora do campo da batalha, terão sido mortos nos dias seguintes pela população portuguesa, cerca de 5.000 homens de armas, em fuga, do exército castelhano. Devido ao significado político da Batalha e aos seus numerosos nobres e homens de armas que aí morreram, Castela permaneceu em luto por um período de dois anos.

Consequências da Batalha de Aljubarrota

Para a Europa, a Batalha de Aljubarrota constituiu uma das batalhas mais importantes ocorridas em toda a época medieval.

Para Portugal, esta batalha, ocorrida no planalto de S. Jorge no dia 14 de Agosto de 1385, constituiu um dos acontecimentos mais decisivos da sua História.

Sem ela, o pequeno reino português teria, muito provavelmente, sido absorvido para sempre pelo seu poderoso vizinho castelhano.

Sem o seu contributo, o orgulho que temos numa história largamente centenária, configurando o estado português como uma das mais vetustas e homogéneas criações políticas do espaço europeu, não seria hoje possível.

A vitória portuguesa em Aljubarrota permitiu também a preparação daquela que seria a época mais brilhante da história nacional - a época dos Descobrimentos - que, de outra forma, pura e simplesmente não teria ocorrido.

A Batalha de Aljubarrota proporcionou definitivamente a consolidação da identidade nacional, que até então se encontrava apenas em formação, e permitiu ás gerações futuras portuguesas a possibilidade de se afirmarem como nação livre e independente.

1659 - Batalha das Linhas de Elvas (Guerra da Restauração)

Contexto político anterior á Batalha das Linhas de Elvas:

Batalha das Linhas de Elvas

Nos sessenta anos que decorreram de 1580 a 1640, o governo dos Filipes foi progressivamente sendo considerado como um período de reis estranhos.

Este sentimento acentuou-se a partir de 1621, com o reinado de Filipe III, face ao aumento dos impostos e ao recrutamento de militares portugueses para servirem com o exército espanhol, nomeadamente na guerra da Catalunha.

A população portuguesa tinha também, e com fundamento, a percepção de que o referido aumento de impostos não se destinava a melhorar as condições de vida em Portugal, mas sim a financiar projectos espanhóis, nomeadamente as campanhas militares na Europa e a sua expansão ultramarina.

Em face desta situação, o descontentamento em Portugal foi alastrando. Tendo a nobreza mais importante e de maior destaque sido o motor da Restauração. Esta eclodiu em 1 de Dezembro de 1640, tendo de imediato aderido a esta acção outros e variados estratos sociais, do alto clero às gentes mais humildes.

Esta adesão colectiva do povo português explica os sacrifícios humanos e materiais demonstrados nos anos seguintes na resistência militar, ao longo das fronteiras e no território ultramarino.

Proclamado o Duque de Bragança como D. João IV, logo se escolheram os governadores do Reino, que procuraram assegurar a sua administração e a obtenção de dinheiro e armas para a sua defesa.

A aclamação de D. João IV verificou-se em 15 de Dezembro, no Terreiro do Paço em Lisboa. Seguidamente o novo monarca convocou as Cortes, que se iniciaram em Lisboa em 28 de Janeiro de 1641, com a participação do clero, da nobreza e do povo.

Os confrontos militares começaram em 1641, com escaramuças no Alto Minho, Beira Alta e sobretudo no sotavento Algarvio e no Alentejo.


Foi contudo em 26 de Maio de 1644 que se verificou a primeira batalha, a Batalha do Montijo. Travada em Espanha, perto da Badajoz, 7,000 portugueses conseguiram derrotar 8,500 espanhóis, transformando um confronto que inicialmente se revelava desfavorável, numa retumbante vitória.


Neste período de grande incerteza e aflição em relação ao futuro, em face da mais que provável invasão do exército espanhol, D. João IV, numa cerimónia realizada em 1646 na Igreja de Vila Viçosa, consagra o povo português à Imaculada Conceição e proclama Nossa Senhora como rainha e padroeira de Portugal.


Não mais os reis de Portugal voltariam a colocar a coroa real na cabeça, pois a partir de então esse direito foi conferido à imagem de Nossa Senhora.

Iniciaram-se entretanto novas Cortes em Lisboa em Outubro de 1653, que aprovaram contribuições adicionais para o esforço de guerra, por parte dos três estados.

Este esforço financeiro e militar esteve na base das vitórias alcançadas dez anos mais tarde. As Cortes serviram ainda para o juramento do príncipe D. Afonso como novo herdeiro do trono.

D. João IV morre em Novembro de 1656, tendo confiado em testamento a regência do Reino a D. Luísa de Gusmão. Embora espanhola por nascimento, da região da Andaluzia, D. Luísa desde logo abraçou a causa do seu marido, tendo servido eficazmente a Restauração antes e depois da morte de D. João IV, procurando assegurar a independência de Portugal e a sobrevivência da Dinastia.

Com a morte de D. João IV, com a recuperação da Catalunha em 1652 e com a amenização militar noutras frentes, nomeadamente com o fim da “Guerra dos Trinta Anos” em 1648, Madrid resolveu concentrar as suas forças na recuperação de Portugal.

O Desenrolar da Batalha:

Em Outubro de 1658, depois de ter obrigado os portugueses a terminarem o ataque a Badajoz, o exército espanhol, comandado por D. Luís de Haro, perseguiu o exército português, tendo atravessado a fronteira na Ribeira do Caia, dando início ao cerco que levaria à Batalha das Linhas de Elvas.


O exército espanhol era composto por aproximadamente 14,500 homens, dos quais 11,000 infantes e 3,500 cavaleiros. O exército português era composto por duas partes.


A primeira, que se encontrava no interior do forte de Elvas, incluía 5,000 infantes provenientes do Exército do Alentejo, que havia retirado de Badajoz, e 6,000 infantes, incluindo milícias e ordenanças, como guarnição da praça.

A segunda parte consistia no exército de socorro proveniente de Estremoz, que atingia 11,000 homens, compostos por 2,500 soldados pagos, 5,500 auxiliares e ordenanças e 3,000 cavaleiros.

Tendo partido de Estremoz em 11 de Janeiro de 1659, o exército de socorro português chegou á Serra do Bispo, de onde avista Elvas, em 13 de Janeiro.

Apresentou-se face aos Murtais, entre o forte de Nossa Senhora da Graça e o forte de São Francisco, como que dando a entender que pretendiam atacar noutro local. Este estratagema surtiu efeito, pois D. Luís de Haro optou por manter a guarnição espanhola disseminada pelas linhas de cerco, e portanto a enfraquecer essas forças.


O assalto português começou ao amanhecer cerca das sete horas, tendo apenas atingido as linhas espanholas pelas nove horas da manhã. A tropa espanhola apenas avistou os militares portugueses pelas oito horas, tendo assim ainda algum tempo para os defensores se organizarem.


A linha de ruptura escolhida pelos portugueses teria cerca de 1,000 metros de largo e nela haveria cinco fortins, estando os portugueses organizados para atacar ao longo de toda esta extensão.

Apesar das descargas do fogo espanhol, que produziram seguramente baixas visíveis na tropa portuguesa, a dianteira da vanguarda portuguesa conseguiram subir e forçar a linha espanhola, não obstante a solidez da posição defensiva.

A primeira ruptura ter-se-á verificado à esquerda da linha, ou seja, mais próximo do Forte de Nossa Senhora da Graça, por aí existirem menos efectivos espanhóis susceptíveis de auxiliar a defesa.


Quebrada a linha de defesa, os portugueses começaram a penetrar pelas linhas adentro, isolando os fortins e iniciando o assalto a estes. A cavalaria espanhola posicionada na encosta do Forte de Nossa Senhora da Graça, com cerca de 700 cavaleiros, terá então investido sobre os portugueses, mas foi logo apanhada de flanco por uma força de cavalaria portuguesa saída da guarnição de Elvas, que embora menos numerosa, lhe causou alguma desorganização Neste combate entrou também nesta altura uma força de cavalaria espanhola proveniente do quartel da Vergada, que carregando sobre a cavalaria portuguesa esteve a ponto de a liquidar.


Felizmente, contudo, a cavalaria da vanguarda portuguesa, que havia entretanto já penetrado nas linhas espanholas, veio em seu auxílio, de tal forma que, em conjunto com a cavalaria portuguesa da guarnição de Elvas, conseguiram ao fim de pouco tempo pôr em fuga toda a cavalaria espanhola para o Forte de Nossa Senhora da Graça e mesmo em direcção a terrenos distantes do campo de batalha. Por este motivo, a maior parte da cavalaria espanhola não se voltou a envolver nesta batalha.

Pelas 10 da manhã, o conjunto da força portuguesa havia já penetrado nas linhas espanholas. Iniciou-se então o ataque português aos diversos fortes e fortins existentes ao longo da linha de contravalação e de circunvalação, o que em todos os casos implicou lutas renhidas e extremamente difíceis.

Por volta das 15 horas, D. Luís de Haro, que observara a batalha do Forte de Nossa Senhora da Graça, sem ter um papel activo, retirou para Badajoz, levando consigo praticamente toda a cavalaria sobrevivente.

No final do dia 14 de Janeiro, estavam ainda em mãos dos espanhóis o Forte de Nossa Senhora da Graça e o quartel da Corte, onde se resguardaram as melhores tropas espanholas. O forte da Vergada fora entretanto abandonado pelos militares espanhóis, que o queimaram na sua retirada.


No total, as forças espanholas tiveram cerca de 2.500 mortos, 4.000 prisioneiros, bem como 15.000 armas e 20 bocas de fogo capturadas, para além de outro material militar. As forças portuguesas tiveram cerca de 200 mortos, 600 feridos, ao que se deverá juntar cerca de 5.000 mortos provenientes do cerco de Elvas, nomeadamente pela peste.

Consequências da Batalha das Linhas de Elvas:

Em primeiro lugar a Batalha de Linhas de Elvas teve como consequência quebrar a intenção de Filipe IV de avançar militarmente para Lisboa e voltar portanto a conquistar Portugal. Ficou bem claro em 1659 que os portugueses estavam organizados militarmente, tinham a determinação de lutarem pela sua independência, pelo que a tarefa da conquista de Portugal iria no mínimo ser mais difícil e mais custosa em termos humanos e materiais, do que inicialmente se tinha previsto em Espanha.

Em segundo lugar, a Batalha das Linhas de Elvas aumentou significativamente o prestígio de Portugal e a sua causa de independência na Europa. Este facto trouxe-lhe apoios externos valiosos, que reforçaram militar e diplomaticamente a sua capacidade defensiva.

A Batalha das Linhas de Elvas foi, depois da Batalha do Montijo em 1644, o segundo grande sucesso militar da Restauração portuguesa. Foi a implementação e a concretização no terreno, de um estado de espírito e de um desejo de independência que estava já generalizado na maioria esmagadora da população portuguesa.

1663 - Batalha do Ameixial (Guerra da Restauração)

Contexto político anterior a Batalha do Ameixial

Batalha do Ameixial

Nos sessenta anos que decorreram de 1580 a 1640, o governo dos Filipes foi progressivamente sendo considerado como um período de reis estranhos.

Este sentimento acentuou-se a partir de 1621 com o reinado de Filipe III, face ao aumento verificado nos impostos e ao recrutamento de militares portugueses para servirem com o exército espanhol, nomeadamente na guerra da Catalunha.

A população portuguesa tinha também, e com fundamento, a percepção de que o referido aumento de impostos não se destinava a melhorar as condições de vida em Portugal, mas sim a financiar projectos espanhóis, nomeadamente as campanhas militares na Europa e a sua expansão ultramarina.

Em face desta situação, o descontentamento em Portugal foi alastrando. Tendo a nobreza mais importante e de maior destaque sido o motor da Restauração. Esta eclodiu em 1 de Dezembro de 1640, tendo de imediato aderido a esta acção outros e variados estratos sociais, do alto clero às gentes mais humildes.

Esta adesão colectiva do povo português explica os sacrifícios humanos e materiais demonstrados nos anos seguintes na resistência militar, ao longo das fronteiras e no território ultramarino.


A aclamação de D. João IV verificou-se em 15 de Dezembro, no Terreiro do Paço em Lisboa. Seguidamente o novo monarca convocou as Cortes, que se iniciaram em Lisboa em 28 de Janeiro de 1641, com a participação do clero, da nobreza e do povo. Com estas Cortes permitiu-se o recrutamento de 20,000 infantes e 4,000 cavaleiros.


Os confrontos militares começaram em 1641, com escaramuças no Alto Minho, Beira Alta e sobretudo no sotavento Algarvio e no Alentejo.

Foi contudo em 26 de Maio de 1644 que se verificou a primeira batalha, a Batalha do Montijo. Travada em Espanha, perto da Badajoz, esta Batalha traduziu-se numa retumbante vitória para Portugal.

Neste período de grande incerteza e aflição em relação ao futuro, em face da mais que provável invasão do exército espanhol, D. João IV, numa cerimónia realizada em 1646 na Igreja de Vila Viçosa, consagra o povo português à Imaculada Conceição e proclama Nossa Senhora como rainha e padroeira de Portugal. Não mais os reis de Portugal voltariam a colocar a coroa real na cabeça, pois a partir de então esse direito foi conferido à imagem de Nossa Senhora.


D. João IV morre em Novembro de 1656, tendo confiado em testamento a regência do Reino a D. Luísa de Gusmão. Embora espanhola por nascimento, da região da Andaluzia, D. Luísa desde logo abraçou a causa do seu marido, tendo servido eficazmente a Restauração antes e depois da morte de D. João IV, procurando assegurar a independência de Portugal e a sobrevivência da Dinastia.


Em 15 de Novembro de 1656 fez-se o juramento do novo rei, D. Afonso VI, então com apenas 13 anos.

Com a morte de D. João IV, com a recuperação da Catalunha em 1652 e com a amenização militar noutras frentes, nomeadamente com o fim da “Guerra dos Trinta Anos” em 1648, Madrid resolveu concentrar as suas forças na recuperação de Portugal.

Em Janeiro de 1659 dá-se a Batalha das Linhas de Elvas, onde o exército português obtém nova vitória retumbante.

A regência de D. Luísa de Gusmão manteve-se até 23 de Junho de 1662, data em que D. Afonso VI, então com 19 anos, assume o poder em Portugal.

Em Abril de 1663 concentra-se o exército espanhol em Badajoz, comandado por D. João de Áustria, filho de Filipe IV, pronto para invadir Portugal. O exército espanhol era composto por 15,000 infantes, 6,500 cavaleiros, 5,000 carros com munições e mantimentos e 20 peças de artilharia. Tratava-se do maior exército que Espanha tinha reunido para invadir Portugal.

O Desenrolar da Batalha

O exército invasor seguiu para Évora, que tomou a 22 de Maio. Perante esta situação, o exército português, comandado por D. Sancho Manuel, dirigiu-se para Évora, a fim de provocar o combate.

O exército espanhol não aceitou contudo o desafio, decide evacuar Évora e opta por recuar em direcção à fronteira, para depois atingir Badajoz.

D. João de Áustria percebeu que dificilmente conseguiria deixar de dar batalha. Desta forma, o exército espanhol julgou ver no Ameixial uma posição que lhe seria favorável. Estava a 5 km de Estremoz.


D. João de Áustria toma então a decisão de colocar o seu exército em posição de batalha, colocando nomeadamente parte da sua artilharia em três montes aí existentes (Monte dos Ruivinos, Serra Murada e Serra da Granja).


O exército português, que avançava pela estrada vinda de Estremoz, deparou ao romper do dia com o exército espanhol instalado nestas posições defensivas. A Batalha do Ameixial, iniciou-se assim no início do dia 8 de Junho de 1663, com o ataque português ás posições espanholas.

O Conde de Vila Flor destacou Manuel Freire de Andrade com quinhentos homens de cavalaria e dois regimentos de infantaria, com o objectivo de desalojar os castelhanos do Monte dos Ruivinos, pois esta era das três colinas a primeira que se encontrava na sua frente.

Este ataque foi conduzido com grande valentia, o que obrigou os espanhóis a abandonarem uma posição que consideravam inexpugnável e a retirarem pelo outro lado da encosta, em direcção à Serra da Granja e à Serra Murada (Outeiro dos Ataques).


Nesse momento o exército português ocupava a Serra dos Ruivinos e a Serra da Caldeirinha. O Conde de Schomberg ordenou então que no alto de cada uma dessas duas colinas fossem colocadas cinco peças de artilharia, para protegerem as nossas forças.

O exército espanhol, composto por cerca de quatro mil carros manchegos, cada um com aproximadamente seis metros, puxados por mulas ou por bois, ocupava um gigantesco cortejo.

Este exército avançava a uma velocidade reduzida, pela “estrada estreita e profunda” vinda de Évora em direcção a Arronches, numa coluna de carros que se estendia por mais de 3 Km.

Para proteger esta coluna de carros e carruagens, D. João de Áustria mandou colocar a infantaria nos vértices da Serra da Granja e da Serra Murada, bem como quatro peças de artilharia em cada uma dessas colinas.


O grande objectivo de D. João de Áustria era contudo o de assegurar a retirada do seu exército para Arronches, pois entendia que aí o poderia reforçar significativamente.

Cerca das três da tarde, D. Luís de Meneses, Conde da Ericeira, que estava a dirigir o fogo de artilharia do Monte dos Ruivinos, notou que das oito peças de artilharia castelhana situadas nas Serras da Granja e da Murada, apenas quatro continuavam a disparar. Significava isto que o exército espanhol se ia retirando.


Esta Serra era defendida essencialmente pela infantaria espanhola. No ataque participaram quatro terços de infantaria portuguesa: Tristão da Cunha comandava o terço que atacou a Serra pelo lado direito; pela frente atacaram dois terços, comandados respectivamente por João Furtado e Francisco da Silva; pelo lado esquerdo Tomaz Hut, tenente–coronel inglês comandava outro terço, composto essencialmente por ingleses.


Os soldados portugueses tinham ordens de D. Luís de Meneses para não dispararem enquanto não atingissem o alto da Serra, pois o tiro dos inimigos sendo disparado do alto da Serra, perderia força e seria pouco certeiro.

Os três terços portugueses chegaram ao mesmo tempo ao cimo desta Serra, tendo então todas as suas armas disparado simultaneamente, o que muito surpreendeu e perturbou os castelhanos. Perante isto e apesar da valentia de D. João de Áustria, a infantaria espanhola acabou por abandonar a colina, deixando aí as quatro peças de artilharia.

Estas peças de artilharia foram de imediato utilizadas por D. Luís de Meneses, contra as posições espanholas. A infantaria espanhola em fuga reagrupou-se durante algum tempo na Serra da Espargueira, contiguidade da Serra Murada. Contudo, durou pouco tempo esta resistência, em face do continuado ataque dos terços portugueses vindos da Serra Murada. D. João de Áustria montou então a cavalo e retirou-se para Arronches.

As nossas forças tinham contudo ainda de conquistar as posições castelhanas da Serra da Granja, onde se encontrava infantaria e artilharia inimiga, bem como a coluna de carruagens e de cavalaria espanhola que atravessava o Vale dos Perdigais em direcção a Arronches.


Ocorreu então um choque violentíssimo entre os dois exércitos, com provas de coragem extrema de ambos os lados. Os portugueses desenvolveram em todos os seus ataques uma táctica oportuna e de grande bravura. Tendo durado várias horas, este ataque saldou-se mais uma vez pela retirada das forças castelhanas.


No Vale dos Perdigais a cavalaria e os restos da infantaria espanhola passaram a estar debaixo de um fogo intenso e continuado da artilharia portuguesa, então já posicionada nas encostas da Serra da Espargueira, da Serra Murada, Tejos e Monte Pelado, tornando praticamente impossível o escoamento da coluna de carros e carruagens espanholas para fora do campo de batalha, pela referida “estrada estreita e profunda”, sobretudo no apertado desfiladeiro entre o Montinho e o Monte Pelado, em direcção a Arronches.

Os espanhóis ficaram assim como que “engarrafados” no Vale dos Perdigais, com a agravante de que os 4,000 prisioneiros portugueses que seguiam na vanguarda desta coluna, ao verem esboçar-se a vitória a favor dos seus compatriotas a evolução da batalha, voltaram-se contra os espanhóis, retirando-lhes as armas que puderam e começando a combater contra eles.

A multidão de soldados e acompanhantes que vinham na retaguarda da coluna espanhola, e que pretendiam pôr-se a salvo, esbarravam com os que vinham da vanguarda, atropelando-se mutuamente.

Até descer a escuridão dessa noite, batalhou-se arduamente, tendo-se mais uma vez provado a valentia da infantaria e cavalaria portuguesa.

Com efeito, a cavalaria e a infantaria portuguesas atacaram ao longo dessa área a extensa coluna de carros e carruagens espanholas, que se movimentavam escoltadas por infantaria, mas sobretudo pela cavalaria espanhola.

Apenas com o raiar do sol do dia seguinte, foi possível ver toda a extensão deixada no terreno pela Batalha, tanto nos vales, como nos diferentes montes e colinas.


A vitória portuguesa foi esmagadora, tendo os espanhóis sido completamente desbaratados, deixando no campo 4.000 mortos, 2.500 feridos e 6.000 prisioneiros.


Foram apreendidos ao exército espanhol nomeadamente 18 canhões, 2,811 cavalos, 5,000 carruagens muitas delas com ouro e prata, 6,000 bois, 8,000 mulas, 6,000 granadas, 3,000 balas de artilharia, 2 coches de Príncipe e 25 coches particulares.

O exército português sofreu aproximadamente 1,000 mortos entre os portugueses, trezentos mortos entre os franceses e cinquenta mortos entre os ingleses. 

Consequências da Batalha

A Batalha do Ameixial foi fundamental para que Portugal se mantivesse como Portugal e tivesse chegado ao séc. XXI, como País independente. Com efeito, esta Batalha insere-se numa forte ofensiva espanhola, no sentido de conseguir retomar o País perdido.

O resultado desta Batalha teve importante significado e consequências para os dois lados. Para Portugal, a Batalha do Ameixial foi a mais importante vitória militar da Restauração, pois ela resolveu possivelmente a mais perigosa situação que Portugal enfrentou durante o período de 1640 a 1668.


A Batalha do Ameixial passou à história como uma das mais violentas e esforçadas, mas também das mais gloriosas nas Guerras da Restauração.


Para Espanha, esta Batalha contribuiu para que crescentemente alastrasse a convicção, nomeadamente na Corte e na nobreza espanhola, de que seria praticamente impossível a submissão de Portugal pelas armas, e que portanto seria inútil o prosseguimento da luta.

No plano internacional, a vitória portuguesa no Ameixial convenceu cada vez mais a França e a Inglaterra de que seria desejável o estabelecimento de um tratado de paz entre Portugal e Espanha.


É assim possível afirmar que com a inequívoca vitória portuguesa na Batalha do Ameixial, terminou uma das maiores ameaças à restauração da independência portuguesa e se abriu o caminho à existência de um País livre.

1665 - Batalha de Montes Claros (Guerra da Restauração)

CONTEXTO POLÍTICO ANTERIOR A BATALHA DE MONTES CLAROS

Batalha de Montes Claros

Nos sessenta anos que decorreram de 1580 a 1640, o governo dos Filipes foi progressivamente sendo considerado como um período de reis estranhos.

Este sentimento acentuou-se a partir de 1621 com o reinado de Filipe III, face ao aumento verificado nos impostos e ao recrutamento de militares portugueses para servirem com o exército espanhol, nomeadamente na guerra da Catalunha.


A população portuguesa tinha também, e com fundamento, a percepção de que o referido aumento de impostos não se destinava a melhorar as condições de vida em Portugal, mas sim a financiar projectos espanhóis, nomeadamente as campanhas militares na Europa e a sua expansão ultramarina.

Em face desta situação, o descontentamento em Portugal foi alastrando. Tendo a nobreza mais importante e de maior destaque sido o motor da Restauração. Esta eclodiu em 1 de Dezembro de 1640, tendo de imediato aderido a esta acção outros e variados estratos sociais, do alto clero às gentes mais humildes.

Esta adesão colectiva do povo português explica os sacrifícios humanos e materiais demonstrados nos anos seguintes na resistência militar, ao longo das fronteiras e no território ultramarino.

A aclamação de D. João IV verificou-se em 15 de Dezembro, no Terreiro do Paço em Lisboa. Seguidamente o novo monarca convocou as Cortes, que se iniciaram em Lisboa em 28 de Janeiro de 1641, com a participação do clero, da nobreza e do povo. Com estas Cortes permitiu-se o recrutamento de 20,000 infantes e 4,000 cavaleiros.


Os confrontos militares começaram em 1641, com escaramuças no Alto Minho, Beira Alta e sobretudo no sotavento Algarvio e no Alentejo.


Foi contudo em 26 de Maio de 1644 que se verificou a primeira batalha, a Batalha do Montijo. Travada em Espanha, perto da Badajoz, esta Batalha traduziu-se numa retumbante vitória para Portugal.

Neste período de grande incerteza e aflição em relação ao futuro, em face da mais que provável invasão do exército espanhol, D. João IV, numa cerimónia realizada em 1646 na Igreja de Vila Viçosa, consagra o povo português à Imaculada Conceição e proclama Nossa Senhora como rainha e padroeira de Portugal. Não mais os reis de Portugal voltariam a colocar a coroa real na cabeça, pois a partir de então esse direito foi conferido à imagem de Nossa Senhora.

D. João IV morre em Novembro de 1656, tendo confiado em testamento a regência do Reino a D. Luísa de Gusmão. Embora espanhola por nascimento, da região da Andaluzia, D. Luísa desde logo abraçou a causa do seu marido, tendo servido eficazmente a Restauração antes e depois da morte de D. João IV, procurando assegurar a independência de Portugal e a sobrevivência da Dinastia.

Em 15 de Novembro de 1656 fez-se o juramento do novo rei, D. Afonso VI, então com apenas 13 anos.


A praça de Elvas foi cercada a partir de 22 de Outubro de 1658. Em 14 de Janeiro de 1659 o cerco espanhol a Elvas foi contudo quebrado por um exército de socorro português, que obteve uma vitória significativa no que ficou conhecida como a Batalha das Linhas de Elvas.


A regência de D. Luísa de Gusmão manteve-se até 23 de Junho de 1662, data em que D. Afonso VI, então com 19 anos, assume o poder em Portugal.

Em Maio de 1663, um novo exército espanhol de 26,500 homens invade Portugal, a partir de Badajoz. Depois de ter chegado a Alcácer do Sal, é contudo obrigado a recuar para Espanha. Dá-se então a Batalha do Ameixial, em 8 de Junho de 1663, a 5 Km de Estremoz. A vitória portuguesa foi esmagadora, tendo os espanhóis sido completamente desbaratados.

Filipe IV de Espanha não se conformava contudo com a revolta empreendida por Portugal, e vivia determinado a recuperar a Coroa Portuguesa. Tinha agora terminado a guerra que os espanhóis mantinham com os franceses em diversas frentes. Podiam assim concentrar-se em Portugal, reunir forças e material para uma ofensiva de grande envergadura, que de vez decidisse a guerra a seu favor.

O Desenrolar da Batalha

Para comandar o exército invasor, Filipe IV mandou vir da Flandres o experiente e afamado Marquês de Caracena.

Devido à disponibilidade de meios espanhóis nas diversas áreas anteriormente referidas, foram reunidas tropas que a Espanha mantinha na Europa continental, e que eram experimentadas nos vários cenários de guerra, como era o caso da Flandres, dos Estados Italianos, da Alemanha, da Suiça, e de tropas que haviam combatido as forças franceses.


Era a elite e a fina-flor dos experientes e afamados tércios espanhóis. No total o exército espanhol atingia cerca de 22,000 homens, dos quais 15,000 infantes e 7,000 cavaleiros, a grande maioria dos quais com grande experiência de combate. Este exército dispunha ainda de catorze peças de artilharia.


A 1 de Junho de 1665, o Marquês de Caracena, à frente de um poderoso exército, partiu de Badajoz, passando o Caia no dia 7. No dia 9 de Junho, Borba caía em seu poder. Investiu de seguida sobre Vila Viçosa, que cercou e tentou, sem sucesso, tomar de assalto.

O exército português reunido em Estremoz, com 20,500 soldados de infantaria e de cavalaria, pôr-se em marcha no dia 17 de Junho. Tinha como objectivo socorrer a heróica guarnição da praça sitiada, antes que esta soçobrasse ao peso dos números do inimigo, mas também de provocar uma batalha contra o exército espanhol.

No dia 17 de Junho, os espanhóis ao saberem da aproximação do exército português deixaram uma pequena força a cercar Vila Viçosa, e partiram ao encontro dos portugueses. Os dois exércitos encontraram-se então na planície situada entre as serras da Vigária e da Ossa., a partir das nove horas da manhã.

Caracena pretendeu atacar o exército português ainda em marcha, com o objectivo de criar uma confusão. O Marquês de Marialva percebeu este intento, e ordenou que o seu exército parasse em Montes Claros e dispondo-o em ordem de batalha. Schomberg executou esta missão com rapidez e com a sua hábil ciência militar.


O exército do Marquês de Caracena iniciou a marcha em massa contra as forças portuguesas, através de dois corpos, um de cavalaria e outro de infantaria, tendo-se os primeiros combates verificado junto ao Convento de Nossa Senhora da Luz.


Caracena, que colocou o seu posto de comando na Serra da Vigária, pretendia surpreender a cavalaria portuguesa que estava dividida em duas alas, carregando a cavalaria espanhola sobre o centro e a ala direita portuguesa, procurando isolá-las da ala esquerda.

O Conde de Schomberg prevendo essa intenção espanhola, fez deslocar a cavalaria portuguesa do flanco esquerdo (vinhas) para o flanco direito (contrafortes da Serra de Ossa), o que se revelou uma medida extremamente acertada.

Iniciado o ataque da cavalaria espanhola no flanco direito português, os terços e a cavalaria portuguesa da primeira linha sofreram uma forte pressão, salvando-se apenas dessa situação crítica pelo referido reforço da cavalaria portuguesa e pela intervenção decidida da artilharia chefiada por D. Luís de Meneses, que abriu fogo à queima-roupa contra as linhas inimigas.

Ao mesmo tempo a infantaria espanhola avançou, apesar das dificuldades do terreno composto por vinhas, sobre a infantaria portuguesa situada na ala esquerda.


Perante esse avanço espanhol, um regimento inglês efectuou uma retirada precipitada, dois regimentos franceses foram rechaçados e um terço de auxiliares de Évora que ia em seu auxílio sofreu um revês.


O Conde de Schomberg que com grande diligência acudia aos mais difíceis confrontos, chamou três terços portugueses e introduziu-os nesse local a combater. Esta iniciativa obrigou os castelhanos a perder o terreno que haviam ganho.

Mais tarde e depois de recomposta, a cavalaria espanhola procurou romper a segunda linha da ala direita portuguesa. Perante a situação crítica que se criou, destacou-se o Marquês de Marialva ao organizar uma forte resistência com piques e artilharia, bem como o Conde da Ericeira, D. Luís de Meneses que comandava a artilharia portuguesa, conseguindo-se dessa forma evitar o recuo do exército português.

Deram-se em seguida choques muito duros e violentíssimos entre os esquadrões dos dois exércitos, com avanços e recuos entre as duas cavalarias. Nesse momento o Marquês de Marialva temendo que a infantaria espanhola acabasse por romper o flanco esquerdo português, situado como se referiu num terreno com vinhas, o que comprometeria a defesa brilhante que a segunda linha portuguesa do centro e da direita estava a efectuar, desguarneceu a ala direita portuguesa, e deslocou alguns terços para a ala esquerda. Este movimento, efectuado com rapidez, permitiu restabelecer o equilíbrio do combate a favor das forças portuguesas, evitando-se assim o rompimento das linhas portuguesas.


A Batalha foi de uma dureza extrema, estando durante muito tempo indecisa, ou parecendo mesmo pender para o lado espanhol. Ás três da tarde, depois de sete horas de duros combates, foi possível suster a agressividade dos ataques do exército espanhol, em face da tenaz e bem organizada resistência portuguesa.


As forças portuguesas, depois de recompostas das primeiras brechas e sob a protecção da sua artilharia que colocada nos contrafortes da Serra d´Ossa sempre se revelou extremamente eficaz, conseguiram fazer recuar o inimigo.

Verificando não conseguir romper as forças portuguesas, a cavalaria castelhana parou as suas cargas e a artilharia suspendeu os disparos.

O exército espanhol pretendeu então retirar disfarçadamente, tendo D. Diniz de Melo, general de cavalaria, sido avisado dessa intenção, decidindo então carregar decididamente sobre os castelhanos. A investida foi tão enérgica que transformou a retirada em debandada desordenada.

O Marquês de Marialva ao ver a cavalaria espanhola em fuga em direcção a Borba, tirou o máximo partido da situação cortando-lhe a retirada.

Este facto agravou ainda mais a desordem da retirada, deixando então o exército espanhol na posse dos portugueses milhares de prisioneiros. Escaparam apenas quatro terços que se tinham concentrado na Serra da Vigária, junto ao Marquês de Caracena.

Nesse momento, a guarnição de Vila Viçosa ao verificar a evolução da batalha, investiu corajosamente, rompendo o cerco que 1,800 espanhóis lhe faziam. Foi apresada a artilharia espanhola que se encontrava em volta de Vila Viçosa, sendo também feitos muitos prisioneiros. Os restantes sitiantes espanhóis debandaram.


A Batalha de Montes Claros terminou assim com uma pesada derrota espanhola, depois de nove horas de combates.


O exército português sofreu cerca de 700 mortos. O exército espanhol sofreu contudo 4,000 mortos e 6,000 prisioneiros, tendo ainda perdido 3,500 cavalos, que foram posteriormente distribuídos pelas várias companhias do Reino. Foram também capturadas ao exército castelhano 14 peças de artilharia, inúmeras balas, todo o tipo de armas de infantaria, oitenta bandeiras de infantaria e dezoito de cavalaria.

Mais um grande general espanhol era imolado na fogueira da guerra da restauração. Mais um perigoso plano de invasão fora batido e a independência do reino consolidada.

Consequências da Batalha de Montes Claros

A Batalha dos Montes Claros foi fundamental para que Portugal tivesse assegurado a sua integridade territorial e conseguido chegar ao séc. XXI como País livre e independente. Com efeito, e após uma série de vitórias militares, a Batalha de Montes Claros veio confirmar um processo irreversível, tendo constituído a batalha decisiva que pôs termo à guerra.

No plano internacional, a vitória portuguesa em Montes Claros acentuou o propósito da França e da Inglaterra em promoverem o estabelecimento de um tratado de paz entre Portugal e Espanha.


Para a França, a independência de Portugal relativamente a Espanha, contribuiria para assegurar a hegemonia europeia que a Guerra dos Trinta Anos lhe concedera. Desta forma, a França chegou mesmo a assinar com Portugal em 31 de Março de 1667, uma aliança ofensiva e defensiva, por 10 anos, contra Carlos II de Espanha.


Para a Inglaterra, a divisão entre Portugal e Espanha, favoreceria o aumento do seu poderio naval e facilitaria a sua expansão ultramarina. Por isso o embaixador inglês em Madrid trabalhou em 1666 e 1667 num tratado anglo-espanhol em que se previa uma trégua de 45 anos com Portugal.

Este quadro político levou assim à assinatura do Tratado de Paz em Madrid a 5 de Janeiro de 1668, e ratificado em Lisboa a 13 de Fevereiro. Este tratado previa uma paz perpétua entre os dois Países.